Com um rap pulsante e um sotaque que evidencia suas raízes paraibanas, a cantora e compositora Bixarte acaba de lançar seu segundo álbum, “Feitiço”. O trabalho, que traz linhas fortes sobre amor e ancestralidade, conta com participações de peso, como Emicida, Lucy Alves, Johnny Hooker e Vó Mera.
O lançamento foi coroado com um reconhecimento importante: um Voto de Aplauso da Câmara Municipal de João Pessoa, entregue na última quarta-feira (26). Para Bixarte, travesti negra, a homenagem em um espaço majoritariamente conservador foi profundamente emocionante. “Isso significa que eu furei uma bolha”, declarou a artista, ressaltando que o reconhecimento é fruto de muito trabalho e de uma equipe coletiva.
“Feitiço” é composto por doze faixas que têm o rap como base, mas que se misturam com trap, afrobeat e forró. O álbum marca um momento de amadurecimento profissional e autoacolhimento para a artista, que já comemora mais de 78 mil plays de forma orgânica, um marco significativo para a produção cultural da Paraíba.
A partir da batida do tambor, o álbum se conecta com a espiritualidade e a memória, criando um ritual musical. A faixa de abertura, “Não Foi Sorte”, com Ayô Tupinambá, é um canto de resistência, enquanto “Tentação” mescla ritmos dançantes como a cumbia.
Em “Exu”, uma parceria poderosa com a cirandeira Vó Mera e o rapper Emicida, Bixarte canta com fervor: “Não peço licença, trago o meu recado. Eu venho de longe, construí um legado”. O álbum ainda passeia pelo reggaeton com forró em “Ibiza”, com Lucy Alves, e encerra com o pop eletrônico de “Kaô Kabecilê”.
Produzido por Bixarte e BBS_LAB, “Feitiço” é um encontro de ritmos e experiências que consolida a artista como uma voz potente e necessária no cenário musical brasileiro.

