Arraial do Pavulagem: a banda que fez da música amazônica uma experiência coletiva

Com nove álbuns lançados, a banda paraense transforma carimbó, toadas e retumbão em uma das discografias mais consistentes da Amazônia brasileira.

Há 37 anos, uma brincadeira de boi em Belém dava origem a um dos movimentos culturais mais originais e impactantes da Amazônia: o Arraial do Pavulagem. Fundado em 1987 por Ronaldo Silva, Júnior Soares e Rui Baldez, o grupo transcende a definição de banda, unindo música, cortejo e um profundo vínculo com a comunidade.

Seu som é um mosaico da cultura paraense, misturando toadas, carimbó e retumbão com guitarras e sopros. Mas é nas ruas que sua essência se revela. O Arrastão do Pavulagem, cortejo realizado no período junino, reúne multidões de mais de 35 mil pessoas, transformando o centro de Belém em uma grande celebração participativa, onde o público é protagonista.

“O Arraial é fruto das pessoas. Tudo o que apresentamos só existe porque existe esse laço vivo com Belém”, afirma Júnior Soares. Essa conexão é cultivada desde 2003 pelo Instituto Arraial, que mantém oficinas gratuitas e forma novas gerações de brincantes, garantindo a transmissão cultural.

A relevância do grupo ultrapassou as fronteiras regionais. Em 2025, o Pavulagem se apresentou no Global Citizen Festival: Amazônia e abriu a sessão plenária da COP30, levando a força da cultura popular paraense ao mundo. “É Belém inteira sendo vista com a força que tem”, celebra Soares.

Com nove discos e uma presença que mistura tradição e contemporaneidade, o Arraial do Pavulagem segue como um fenômeno cultural único. O grupo já planeja seu próximo disco, previsto para 2026, reafirmando que sua música é, acima de tudo, celebração, identidade e transformação coletiva.

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