Acaba de chegar às ruas pelo selo Sujoground, o primeiro álbum autoral da dupla Quentinha — Dog Caos e Sheen. Boombap de Boteco (Lado A) traz o Rio de Janeiro em estado bruto: a boemia que ferve nas madrugadas, o burburinho das barracas de bebida, a ginga da malandragem, o skate cortando a calçada e os muros pichados e grafitados que viram mural de histórias cômicas ou trágicas.
O álbum carrega beats de Nitcho e AHZ, baixo e guitarra de WAVVZZ (faixa 2) e scratchs de DJ NOÉ (faixas 2, 5 e 6). Passam pelo microfone Eli-Z, Serpente Sapiente, Claudjin e Luiz Barata, nomes que dialogam com a cena underground carioca e suas referências: Quinto Andar, Indigesto, Black Alien e Speed.
A poesia também se conecta à obras como O Corpo Encantado das Ruas de Luis Antônio Simas e Guia das Ruas e dos Mistérios da Cidade do Salvador da Bahia de Jorge Amado, misturando sagrado e profano.
O disco transita entre dois mundos: o da introspecção serena, que observa o caos à distância, e o da voz embriagada que cospe verdades na mesa do boteco. Durante as últimas etapas de gravação, Dog Caos abandonou o álcool, trazendo um novo olhar sobre a boemia — mais sóbrio, mas igualmente intenso e atento.
Quem é a Quentinha
O projeto nasce das agitações culturais que Dog Caos realiza, conectando artistas de diferentes estilos e tribos. Depois de anos na cena do rap, Dog e Sheen uniram força criativa e experiência para transformar a produtora de eventos em um espaço de criação autoral. A estética segue a escola clássica de rua, com beats e ideias que respiram hip hop, samba e poesia.

