O rapper Zumbi da Leste, nome artístico de um jovem de 25 anos da Zona Leste de São Paulo, apresenta ao público seu novo lançamento: “Zumbi da Leste”, um single-duplo que marca uma virada importante em sua trajetória artística. Composto por duas faixas de forte impacto lírico e sonoro, o projeto carrega a força da resistência e a urgência das vozes periféricas diante da opressão e da invisibilidade social.
A primeira faixa aposta em um boombap melancólico e visceral, com versos livres que expõem peso, vivência e reflexão, com um sample brasileiro que reforça a densidade da mensagem. Já a segunda música traz um trap com atmosfera épica, também construído sobre um sample nacional, incluindo áudios de noticiários que relatam a violência policial no Brasil. Juntas, as músicas apresentam um retrato cru da realidade e a certeza de que, apesar das tentativas de silenciamento, a favela nunca deixará de resistir.
“Hoje todo mundo quer ser preto, mas ninguém quer sentir isso na pele quando tiver que ser preto.”
Com o nome inspirado em Zumbi dos Palmares, o artista incorpora em sua nova identidade a ideia de ser símbolo de luta, sobrevivência e renascimento. Como ele mesmo define, “Zumbi, morto-vivo, simboliza o que sou. Tentam nos matar, mas sempre voltamos, e mais fortes”. Essa narrativa é reforçada no título da segunda faixa, “A Fúria Negra Ressuscita Outra Vez”, em alusão direta à icônica “Capítulo 4, Versículo 3”, dos Racionais MC’s.
A trajetória de Zumbi da Leste começou aos 17 anos, mas ganhou força a partir de 2022 com o álbum “Careca do Ano”, que ultrapassou 40 mil plays nas plataformas digitais. De lá para cá, o artista expandiu sua presença nos palcos, com destaque para apresentações no Mês do Hip-Hop, no Festival do Canto por Ti do Corinthians e no Festival Okênozune em Jaraguá.
A mensagem central do lançamento é: não haverá silêncio diante da opressão. Para além da crítica social, Zumbi da Leste questiona também a postura de artistas que, mesmo com espaço e influência, evitam abordar problemáticas que afetam diariamente as periferias brasileiras.

